Como Dois Artistas Roubaram 1 Milhão de Perfis Do Facebook
Preocupações com privacidade são um grande tópico online, com sites como o Google e o Facebook como alvos de raiva e desconfiança por suas políticas controversas de coleta e venda de dados de usuários . A cada mês ou dois, os questionamentos viram febre e morrem até a próxima onda de updates comprometedores. Enquanto isso, a maioria das pessoas continua a usar estes serviços sem muita preocupação com a segurança de suas informações pessoais porque, afinal, todo mundo usa e é difícil não usar – ambos os sites essencialmente tiveram sucesso em estabelecer monopólios em seus respectivos mercados.
Os artistas de mídia Paolo Cirio e Alessandro Ludovico têm explorado e sabotado criativamente (e com bom humor) essas corporações em uma série de projetos chamada The Hacking Monopolism Trilogy. A dupla usa softwares customizados para criar hacks que geram buracos inesperados nos “sistemas bem lubrificados de marketing e economia” dos três maiores espaços online: Google, Amazon e, mais recentemente, Facebook.
Em seus primeiros dois projetos, Google Will Eat Itself e Amazon Noir, eles construíram softwares que roubavam dados de acordo com as estruturas de cada corporação – no Google, era através dos clicks no programa AdSense. Com a Amazon, eles roubaram conteúdos de livros inteiros e os distribuíam em PDF. No último lançamento da série, Face to Facebook, eles roubaram 1 milhão de perfis públicos, filtraram o conteúdo com um software de reconhecimento facial e postaram uma série de 250 mil imagens de perfis em um site de relacionamentos customizado de acordo com suas características de expressão facial. O objetivos desses três projetos não é ganhar dinheiro, mas sim “virar os dados e informações roubados contra as respectivas corporações.”

Imagens do site de relacionamentos Lovely-Faces criado com imagens roubadas do Facebook.
Os artistas explicam o Face to Facebook:
Em uma tentativa de liberar dados pessoais que são tratados com propriedade exclusiva do Facebook, passamos alguns meses baixando informações públicas de um milhão de perfis (inclusive fotos). Submergir na base de dados resultante foi uma experiência alucinante, já que mergulhamos em centenas de milhares de fotos de perfil e acabamos intoxicados com os sorrisos inacabáveis, olhares e as comuns expressões de soslaio. Nossa missão era dar um novo lugar a essas identidades virtuais, quebrando as limitações do Facebook e suas regras chatas. Então estabelecemos um novo site (lovely‐faces.com) para dar a eles a possibilidade de ficarem face a face com alguém que se interesse por suas expressões faciais e dados relacionados.
Cada projeto tem tanto a versão web como uma instalação física. A instalação de Face to Facebook está em exposição no Transmediale.11, em Berlim, Alemanha.


Face to Facebook fotos da Transmediale.11.
Esta não é a primeira vez que artistas tentam expor os sistemas mais ou menos invisíveis por trás das corporações que usam informações de usuários para obter lucro financeiro. O coletivo hacker FAT Lab criou essas aplicações na linha de Google Alarm de Jamie Wilkinson e do F*ck Google de Tobias Leingruber e até criaram um projeto bem parecido com o Face to Facebook usando perfis coleta do Studivz, equivalente alemão do Facebook, que fazia séries aleatórias de conexões amorosas no projeto Lovebot.
Será que os esforços destes artistas para criar consciência sobre dados pessoais vão levar a uma mudança nas políticas dessas corporações? Provavelmente não. Mas para aqueles que prestam atenção, esse tipo de projeto com certeza expõe as falhas destes serviços supostamente “gratuitos” que rapidamente ganham nossa confiança.




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