The Creators Project: Primeira coisa, como vocês dois se conheceram?
Julia Grigorian: A gente se conheceu na faculdade de arte e começamos a conversar e fazer coisas juntos. Gostávamos de coisas parecidas, e não paramos mais de trabalhar.
Isso que é amor de verdade. O que vocês estavam estudando e quanto tempo levou para fazerem algo juntos?
JG: Vídeo e arte digital – instalação de arte, de vídeo e vídeo interativo.
Kirby McClure: A primeira colaboração que realizamos foi em uma video-instalação. Depois disso, percebemos que tínhamos um monte de ideias em comum e várias intuições parecidas sobre imagens. Aí percebemos que seria legal continuar trabalhando juntos, combinar nossas obras e tocar mais como um coletivo, uma equipe.
Existem alguns temas que vocês dois queiram comunicar com o trabalho de vocês?
JG: Nós conversamos bastante sobre tecnologia, coisas interativas, realidade virtual, essas coisas. Geralmente, nossa sensibilidade é bem parecida em relação à vida, ao mundo, à natureza e à morte.
KM: Acho que nós dois temos interesse em história, em reverenciar certas coisas do passado. Não só criativamente ou em relação à movimentos de arte, mas em coisas como a luta por trás dos avanços tecnológicos.
E depois de terminar a faculdade vocês se mudaram para Nova York?
JG: Sim, eu me mudei para Nova York por pouco tempo. Antes de mudar para lá, fizemos um videoclipe do Of Montreal e começamos a fazer outros clipes depois dele. Então nós dois mudamos para Nova York pensando que ia rolar de tudo… mas não rolou como a gente imaginava.
KM: Nova York era muito agitada para nós. Não conseguíamos nos concentrar. A sensação era que tinha muita energia e muita inspiração.
E agora vocês estão em Los Angeles. É mais produtivo para o processo artístico de vocês?
JG: Sim, nos mudamos para cá e estamos trabalhando em nossos projetos, no nosso site, em obras interativas que sempre quisemos fazer.
A coisa das pedras no site de vocês (radicalfriend.com) é interessante porque é bem simples e conciso, e ao mesmo tempo desconcertante. É o oposto da maioria das coisas que a web oferece, que é informação. O site é enigmático e levanta várias questões.
KM: É uma ideia de se expandir para fora da internet. A rede é essa coisa que ficamos olhando e queríamos transgredir, tipo “dane-se”, queríamos sair daquele plano.
JG: Não queremos usar a internet como algo “Ei, esse é o nosso site, aqui está o meu trabalho”, mas algo do tipo “Essa é a minha cara e isso é o que queremos contar para você”.
Então permitir que o usuário controle aspectos de como eles enxergam o seu trabalho é algo que vocês aspiram? É quase a antítese de como a arte vem sendo apresentada até agora.
KM: Acho que gostamos da ideia da tecnologia e da arte interativa serem algo com uma atmosfera que você possa controlar ao invés da pompa de outras tecnologias. Ou até de usá-la mais a fundo, como um sentido mais elevado.
JG: É menos sobre narrativa e menos como um game. Tem mais a ver com a experiência que você vai ter. O importante é contar histórias, comunicando algo e tentando encontrar um jeito diferente de fazer isso. Como você coloca alguém num espaço um pouco mais profundo, onde possa sentir algo? A Tecnologia é fundamental agora, mas terão muitas outras coisas que serão possíveis mais pra frente.
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